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Segunda-Feira, 16 de Outubro de 2017

HOSPITAL GOV. JOÃO ALVES FILHO
23/02/2010

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Inaugurado em fevereiro de 1987, uma quinta-feira, sol de verão. Lembro-me da data porque eu era um dos plantonistas nesse dia. Toda a organização, método de trabalho, concurso para provimento de vagas, coube ao Prof. Dr. Antônio Cruz. A ideia da construção do hospital era assistir à população do Estado, pois o Hospital de Cirurgia estava sobrecarregado, já atendendo uma população de mais de 400 mil aracajuanos.
      Um começo exuberante, quando todos trabalhavam com prazer, recebendo um salário muito bom (10 salários mínimos como base), havendo uma enorme resolutividade nos casos que para lá iam, com uma mortalidade mínima. Mas à medida que os anos se passavam a demanda aumentava, pois para o Hospital de Cirurgia ninguém queria ir mais, principalmente os que vinham do interior, já que o HJAF fica na entrada da cidade. Em menos de 10 anos de funcionamento já não suportava o atendimento e os governos subsequentes não fizeram a ampliação necessária e adequada, seja física como também em recursos humanos.
      Hoje o HJAF é caso de polícia, literalmente, com a recente denúncia de que nove médicos supostamente teriam faltado ao plantão de Natal alegando doença e apresentando atestados médicos. Era só o que faltava! Com se a culpa de todas as mazelas da saúde do Estado fosse da responsabilidade dos médicos. Os anestesistas já foram acusados de cartelistas, os pediatras são vilipendiados e agora médicos são responsabilizados pela desorganização e falta de experiência diretiva do Hospital, único no Estado que conta com profissionais para atender qualquer tipo de emergência.
      Para duas perguntas ainda não encontrei respostas: a quem interessa essa desmoralização e humilhação da classe médica? E por que os médicos ainda se encontram tão apáticos frente a essa atitude sórdida, orquestrada diariamente? Tais atitudes nunca antes foram vistas em nosso pequeno Sergipe! Nosso estado é gerador de nomes respeitados e admirados na Medicina nacional e internacional. Não fazemos vergonha em nenhum hospital em que trabalhamos pelo Brasil.
      Constatamos, a cada visita técnica que fazemos no Hospital Gov. João Alves, conjuntamente com o SINDIMED e o CRM, que a situação vem piorando absurda e descontroladamente. Médicos pedem demissão a cada dia, as macas pelos corredores expõem doentes de todos os tipos, numa mistura de doença e gravidade. Salas do centro cirúrgico são usadas como centro de recuperação pós-anestésica, as equipes de enfermagem trabalham na exaustão e em número reduzido, levando a um absurdo, qual seja, os acompanhantes são usados para manipular equipos de soro, dar banho nos pacientes, controlar horário de medicação e dar comida, aumentando assim a população hospitalar, contribuindo para aumentar a infecção hospitalar e a balbúrdia. E mais: serviços especializados são desmontados, não há protocolos de atendimento, levando a um número de exames complementares solicitados exagerado.
     A grande maioria das altas hospitalares são dadas sem a mínima orientação aos pacientes/familiares. Ambulâncias continuam despejando doentes na porta do hospital. Há um distanciamento da diretoria, com relatos inclusive de truculência. Prova disso é que nesse governo o hospital já teve mais de cinco diretores! Altas hospitalares são dadas precocemente, cirurgias de urgência são realizadas em caráter eletivo, levando a uma maior morbidade. O serviço de pediatria está totalmente desprestigiado, pois toda a área construída pelo governo anterior para ser ocupada pela pediatria foi descaracterizada. Em cada porta do hospital há dois seguranças, denotando a extrema gravidade da segurança.
    A radioterapia está aquém da necessidade, precisa de mais dois aparelhos para atender a demanda. O doente não tem um único médico responsável por ele e sim vários. Cada parte do corpo do doente tem um médico. Não há material de apoio em número suficiente, como respiradores artificiais. Os cirurgiões operam sem instrumentadores cirúrgicos, aumentado a morbi/mortalidade. O material cirúrgico não corresponde à necessidade. A consequência disso tudo, é óbvio, é um aumento da mortalidade.
    O recente concurso promovido pela SES, juntamente com a criação da Fundação, eram medidas ditas para resolver o gravíssimo problema administrativo do HGJAF. Pois bem, a cada dia constatamos a total falência desse tipo de gestão. Hoje já existe um certo tipo de leilão para se dar um plantão no hospital!
    Entretanto, para o ano de 2010, a Secretaria de Estado da Saúde terá a sua disposição, um orçamento de 598 milhões de reais. Trocando em miúdos, a cada mês a Secretaria poderá gastar 50 milhões de reais. Ou ainda, a cada dia do ano poderá usar 1 milhão e 600 mil reais. A cada hora do ano poderá usar para a saúde do sergipano 133 mil reais. A cada minuto, 2 mil e 200 reais.
    Não entrarei no mérito desse orçamento. Mas no próximo artigo darei minha contribuição para a resolução dos gravíssimos problemas diretivos do HGJAF.

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